'Ela nunca está sozinha'

A relação de afeto entre o escritor Byrata e sua mãe acabou virando um livro de poemas

Gabriela Perufo

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Byrata Lopes, 62 anos, é ilustrador e escritor. Há cerca de 20 anos, ele voltou a morar com a mãe, Nyvia, hoje com 95. Um tempo depois, ele começou a perceber pequenos esquecimentos da mãe. E, no início dos anos 2000, foi diagnosticada a causa dos lapsos frequentes da idosa: o Mal de Alzheimer.

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O tempo foi passando, e a doença, avançando ferozmente contra Nyvia. Ela perdeu a fala e o movimento das pernas, mas nunca a atenção da família. Byrata conta com o apoio dos irmãos, filhos e sobrinhos, além de uma cuidadora, para garantir que nada falte à matriarca.

Filha que teve câncer agora cuida da mãe, que teve um tumor na mama

— No início, percebe-se que as coisas não estão bem. A primeira coisa que fiz foi procurar ajuda, saber o que era a doença. Tem que ter jogo de cintura, especialmente porque, em algumas pessoas, ela confiava mais do que em outras. Também tem uma fase da doença em que o idoso apresenta sinais de agressividade, e as pessoas precisam entender — revela o escritor.

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Byrata reconhece que precisou abrir mão da vida individual, mas que nada substitui o carinho e atenção que ela precisa ter no ambiente familiar. Difícil foi lidar com a dor da transformação:

—Em um momento tua mãe está ali, coordenando tudo. Em outro, já apresenta certas falhas. Foi preciso aceitar que ela já não era mais a mesma pessoa que foi sempre. Era preciso assumir o problema e enfrentar, de forma amorosa. Fico pensando nos idosos que não têm família por perto ou apoio profissional e isso me entristece. A mãe sempre foi voluntária, disposta a ajudar os outros, ela merece um retorno por ter sido assim e, por isso, nunca está sozinha. Mas é preciso de muito amor e carinho.

Meio por acaso, o amor de ambos acabou se materializado em forma de arte.

— Tinha uma época que eu saía para os compromissos e a levava junto. Eu fazia uns desenhos e, para mantê-la distraída, pedia que ela os pintasse — lembra Byrata.

O colorir foi terapêutico para ela e ainda inspirou o filho a escrever uma série de poemas. A obra de ambos pode ser encontrada no livro A Última Flor.

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